Capitais Europeias da Cultura: Istambul, Essen e Pécs

Em 2010 as capitais europeias da cultura são Istambul (Turquia), Pécs (Hungria), e Essen/região do Ruhr (Alemanha). Exposições, concertos, e espectáculos de teatro e dança, são alguns dos exemplos de eventos planeados pelas cidades eleitas, para receber os milhões de turistas esperados ao longo de ano.

Em 1985, a União Europeia lançou a iniciativa intergovernamental designada por “Capital Europeia da Cultura” que visa enaltecer a diversidade, a riqueza e o valor das culturas europeias, bem como a promoção do conhecimento recíproco e a aproximação dos cidadãos europeus.

As cidades seleccionadas estabelecem programas que englobam a realização de eventos culturais e o envolvimento das entidades locais na promoção do património histórico, arquitectónico, cultural e humano.

Com a designação de Capitais Europeias da Cultura, as cidades beneficiam de uma redobrada projecção internacional e têm a oportunidade de enaltecer a sua vertente cultural e de realizar projectos de requalificação urbana.

Essen e Vale do Ruhr – da Indústria do Carvão à Industria Cultural

A cidade de Essen e o vale do Ruhr tiveram um passado marcadamente industrial, longe das centralidades artísticas e culturais da Alemanha. Com o declínio industrial, amplos espaços que outrora albergavam maquinaria pesada, deram lugar a espaços de cultura. A nomeação de Essen, para Capital Europeia da Cultura foi o culminar de um processo longo de reabilitação dos espaços urbanos, que acabou por ser reconhecido e premiado pela União Europeia.

Zeche Zollverein - Exemplo de Renovação Urbana em Essen - Foto: UNESCO Weltkulturerbe Zeche Zollverein, Foto: Reinicke/StandOut.de
Zeche Zollverein – Exemplo de Renovação Urbana em Essen – Foto: UNESCO Weltkulturerbe Zeche Zollverein, Foto: Reinicke/StandOut.de

O vale do Ruhr foi desde sempre uma região marcada pelas migrações de povos que vinham trabalhar nas minas de carvão e do aço, nomeadamente holandeses, belgas, russos, turcos, italianos, espanhóis ou portugueses, bem como pela convivência de culturas e religiões distintas. Na verdade, pode-se considerar esta região como um “micro-mundo” onde vivem pessoas provenientes de 170 países que trouxeram os seus hábitos, modos de vida e cultura para este lugar, transformando-o numa metrópole multifacetada.

O projecto RUHR.2010, inserido na iniciativa europeia, pretende transformar a paisagem da região com a realização de diversos eventos culturais e artísticos, onde a inovação será a pedra basilar. Temas como a Europa, a metrópole ou a mitologia serão reflectidos em espectáculos de teatro, música, dança, festivais e indústrias criativas. O objectivo final será potenciar a região como um espaço influenciador da arte e da cultura europeia.

As actividades em Essen iniciaram-se a 9 de Janeiro com uma ampla oferta cultural que irá decorrer em mais de duas centenas de teatros e salas de concertos e em cerca de duzentos museus.
Alguns dos pontos altos dos eventos propostos são o festival Melez e o projecto Twins. O Melez ocorrerá em Outubro, e o mote será a “cultura da convivência”. Esta iniciativa corresponde a um laboratório que reúne artistas dos mais variados quadrantes, desde as artes plásticas à dança, que percorrerá a Alemanha sobre carris. Por seu turno, o projecto Twins reúne as 53 cidades do vale do Ruhr e as suas cidades parceiras por todo a Europa, num evento que visa discutir a cultura e o estado da arte.

Numa visita a Essen não deve deixar de visitar a antiga mina de Zeche Zollverein, considerada como Património Mundial pela UNESCO, e que é hoje um importante pólo cultural, o museu Folkwang com uma colecção de obras de fotografia de diferentes épocas, a Catedral datada do século XIV, a Basílica de São Ludgero, o bairro histórico de Kettwig com edifícios do século XVII e XVIII, e a sinagoga e o museu judeu.

A melhor opção para chegar a Essen é apanhar o comboio desde Dortmund. A viagem demora cerca de 30 minutos. Para chegar a Dortmund, tem ao seu dispor voos directos desde Lisboa, operados pela Lufthansa com tarifas desde 99 euros, ida e volta.

Pécs – A Cidade Sem Fronteiras

A cidade húngara de Pécs com cerca de 150 mil habitantes situa-se no Sudoeste do país, nas vertentes das montanhas de Mecsek, próximo da fronteira croata, a cerca de 200 quilómetros da capital Budapeste.

Fundada pelos Romanos há cerca de 2000 anos, a qual deram o nome de Sophianae, Pécs conheceu ao longo da sua história diversos episódios de lutas, conquistas e guerras. Desde as batalhas com o povo Otomano durante o século XVI, até à ocupação alemã no século XIX à influência soviética no século XX.

O passado multicultural deixou marcas na cidade, nomeadamente ao nível do património edificado, dos modos de vida e da cultura. A nomeação de Pécs como Capital Europeia da Cultura teve em consideração as suas tradições singulares e o desenvolvimento dos laços culturais com a região Balcânica.

Intervenção Cultural nas Ruas de Pécs
Intervenção Cultural nas Ruas de Pécs

Cidade universitária por excelência, Pécs é um tesouro bem guardado no coração da Hungria, com diversos pontos de interesse. O centro histórico da cidade é relativamente pequeno e é fácil percorrê-lo a pé.

Os monumentos da era Cristã, a Mesquita Otomana do século XVI, a Catedral, a Torre de Televisão, os edifícios da Idade Média, de estilo Barroco, Clássico, Rococó, ou de Art Noveau, são alguns dos lugares a visitar. O ex-libris da cidade é o cemitério mais antigo da Europa que data do século IV AC e que integra a lista do Património Cultural da UNESCO.

Os espectáculos de jazz, música popular e clássica, as exposições e os festivais não irão faltar numa “cidade sem fronteiras” como diz o lema do programa da Capital Europeia da Cultura. Este ano também será aproveitado para inaugurar uma nova sala de concertos e um centro cultural. Estima-se que cerca de um milhão de turistas acorram aos eventos organizados na cidade de Pécs.
Dos eventos promovidos destacam-se os da orquestra sinfónica Franz Liszt com obras de Bela Bartok e Zoltán Kodály, a exposição do artista plástico Laszlo Moholy-Nagy com realce para a escola de arte Bahaus, e ainda a “op art” criada pelo artista Victor Vasarely. Refira-se que em mais de dois terços dos eventos, as entradas nos espectáculos são gratuitas.

O modo mais fácil de chegar a Pécs é apanhar o comboio que parte de Budapeste (estação de Déli ou Keleti). O tempo de viagem é de duas horas. Para chegar à capital húngara, a melhor opção é através da TAP que oferece ligações directas entre Lisboa e Budapeste desde 220 €.

Istambul – A Cidade dos Quatro Elementos

A Turquia não é um estado-membro da União Europeia, mas este facto não foi um obstáculo à sua nomeação para Capital Europeia da Cultura. Entre o Ocidente e o Oriente, Istambul possui um património histórico e cultural inigualável. Capital do Império Otomano e do Império Romano do Ocidente, a cidade é uma amálgama de histórias e uma mescla de culturas, situada entre a Ásia e a Europa.

Anúncio em Istambul sobre a Capital Europeia da Cultura
Anúncio em Istambul sobre a Capital Europeia da Cultura

O programa de Istambul baseia-se na idade de cidade dos “quatro elementos”, onde o fogo é representado pela juventude, as artes, e a tecnologia; a terra corresponde ao património histórico e à herança cultural; a água é representada pelo Bósforo e o Corno de Ouro; e o ar deriva da diversidade religiosa e da tolerância.

O calendário de eventos iniciou-se a 16 de Janeiro e ao longo de um ano não faltam conferências, lançamentos de livros, exposições, espectáculos, festivais e mostras de cinema. Espera-se que ao longo do ano, a cidade seja visitada por mais de 10 milhões de turistas.

As relações entre a Rússia e o Império Otomano durante os séculos XVI e XVII estarão em destaque na exposição “Tesouros do Kremlin” no Palácio Topkapi, tal como a exposição “Assírios em Istambul” no Museu da Arqueologia.

Os espectáculos de música sob o lema “Música sobre a Arquitectura de Istambul” estarão presentes um pouco por toda a cidade durante todo o ano. Ainda ao nível dos concertos destaque ainda para o Festival de Música dos Balcãs durante os próximos meses. Em Julho terá lugar a Competição Internacional de Ballet com diversos espectáculos em evidência. Nota ainda para a “Parada Fotográfica” que focará os diversos ângulos e perspectivas da cidade.

Nomear lugares a visitar em Istambul é estar a restringir, porventura, a descoberta da cidade. Istambul, só por si, é um lugar imperdível e único, onde qualquer rua, qualquer recanto é motivo de interesse. No entanto, destacam-se a igreja de Santa Sofia erigida pelo Império Romano na época do Imperador Justiniano; a Mesquita Azul construída pelo sultão Ahmed I no inicio do século XVII; o Palácio de Topkapi erguida no século XV por Mehmet II; e a Torre de Gálata; entre outros monumentos. Uma visita ao Grande Bazar, com mais de três mil lojas, e um cruzeiro no Bósforo em direcção ao Mar Negro, são outras das actividades que não deve deixar de realizar.

Para chegar a Istambul a melhor opção é através da companhia aérea de bandeira Turkish Airlines, que oferece voos directos entre Lisboa e a Capital Europeia da Cultura, desde 245 €.

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