Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido

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O Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, em Espanha, é um destino interessante para quem apreciar estar em contacto com a Natureza e realizar caminhadas num ambiente de montanha.

A cordilheira pirenaica separa a Espanha de França e estende-se por mais de 400 quilómetros entre o Golfo da Biscaia (Oceano Atlântico) e o Cabo de Creus (Mar Mediterrâneo). Os montes têm uma orientação Noroeste/Sudeste, sendo que os pontos de maior altitude superam os 3300 metros, como é o caso dos picos Aneto, Posets e Monte Perdido.

O Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido insere-se neste conjunto montanhoso e situa-se na província de Huesca na Região Autónoma de Aragão (Espanha). O Parque, com uma superfície superior a 156 km2, foi criado em 1918 por Decreto Real, sendo que em 1982 a área preservada foi alargada, passando a aglomerar também a cabeceira do Vale de Pineta, o Canhão de Añisclo, e as Gargantas de Escuaín.

Em 1997, a UNESCO inclui este Parque na Reserva da Biosfera de Ordesa-Viñamala e em conjunto com os circos glaciares do lado francês foi também classificado, pela mesma instituição, como Património Mundial.

O Parque insere-se numa região de maciço calcário que foi moldado ao longo de milhares de anos durante as Eras Terciária e Quaternária. Durante a última glaciação sofreu a influência da erosão glaciar, dando lugar a um conjunto de vales e circos glaciares bastante marcados na paisagem, como é o caso dos vales em forma de “U” de Ordesa e de Pineta.

Parque Ordesa e Monte Perdido

Maciço calcário de Ordesa

A água é um elemento sempre presente na montanha, seja a proveniente do degelo durante a Primavera, ou a da chuva que se distribui ao longo ano. Nos vales e nas áreas mais baixas, encontra-se uma vegetação herbácea e arbustiva exuberante e matas freixos e vidoeiros.

Nas altitudes intermédias (800-1700 metros) dominam os abetos, o pinheiro, o choupo, bem como alguns pinheiros negros à medida que se sobe em altitude. Nas áreas mais elevadas, a cerca de 2000 metros, a paisagem é dominada pela aridez cársica e desértica.

O Parque, devido às suas influências climáticas (mediterrânica e oceânica), apresenta uma grande diversidade da fauna e da flora com mais de 1400 espécies florísticas e 112 comunidades vegetais identificadas, entre as quais se destacam a flor da neve, a Campanula cochleariifolia, a Borderea pyrenaica, ou a Pinguicula longifolia.

No que se refere à fauna existem mais de 30 espécies de mamíferos e 70 aves nidificantes reconhecidas. As camurças, as marmotas, a trepadeira-dos-muros, o grifo, ou a águia-real são algumas das espécies que pode encontrar neste Parque Natural.

A porta de entrada no Parque faz-se por Torla, um pequeno município da província de Huesca, com pouco mais de 200 habitantes, situado a cerca de mil metros de altitude. Torla é um lugar típico de montanha com casas em pedra, entre as quais se destacam a Casa Ruba, Lardiés, Bun e del Saste, com brasões reais nas suas fachadas. A igreja paroquial de estilo gótico datada do século XVI, recentemente reabilitada, e a Plaza Mayor são outros dos pontos de interesse desta localidade.

Espanha

Torla

Torla é pois, um dos pontos de partida para conhecer esta bela região. Aqui pode obter informação turística diversa com programas de percursos para todos os gostos, propostas de actividades ao ar livre como a observação de aves, prática de BTT, de canoagem, escalada, esqui de fundo durante o Inverno, espeleologia ou rafting.

Nesta localidade também não faltam pequenas lojas onde pode adquirir todo o material necessário para explorar as montanhas e livros especializados que o guiam pelos caminhos do Parque.

Ainda no contexto da paisagem humana não deve deixar de visitar as pequenas povoações do interior com a sua arquitectura característica onde predominam os telhados de lousa e a estrutura em pedra, e onde as tradições do passado ainda permanecem em harmonia com o presente. Fragen, Nerin, Linás de Broto, Bielsa, Viu de Linás e Puértolas, são algumas comunidades a descobrir.

Quando Ir

O melhor momento do ano para visitar o Parque é durante o Verão e no fim da Primavera. Durante uma parte do Outono e no Inverno, os montes encontram-se cobertos de neve, e apenas os especialistas se aventuram em caminhadas pelo Parque.

Tendo em consideração que estamos perante uma região de montanha, onde a meteorologia é instável, mesmo no Verão, é necessário tomar algumas precauções aquando da realização de caminhadas ou de outras actividades de montanha. O calçado apropriado, um agasalho, um impermeável, água, comida e um bom mapa são as ferramentas básicas para partir à descoberta desta área região.

Se pretender explorar o Parque de modo organizado, saiba que a agência de viagens Rotas do Vento, especializada em expedições e viagens de aventura, organiza um programa de caminhada nesta região, com a duração de sete dias, denominado “Descoberta de Ordesa”.

Como Ir

O programa proposto tem a sua base na localidade de Torla. As principais actividades e lugares por onde passa este percurso incluem o vale do rio Ara, a garganta e vale de Añisclo, o desfiladeiro de Ordesa, a cascata de Cotatuero, os circos glaciares de Sallarons e Soaso, os Barrancos de la Mirona, e de Lapazosa, a subida ao topo do monte Mondotó, a quase dois mil metros de altitude, e a senda de los cazadores, uma visita à magnífica cascata com o nome de colla de Caballo e ao Mirador de Calcillaruego, de onde pode obter uma vista deslumbrante.

O Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido é um lugar único, ideal para realizar percursos de modo descontraído e tranquilo, onde não faltam formações geológicas impressionantes, vales de origem glaciar, quedas de água, florestas de coníferas, matas de abetos e de carvalhos, prados de altitude, e pastores com os seus rebanhos sobre montes e vales.

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